MARIA BARBORA DE SOUZA, 64
é há 22 anos dona de uma banca de jornais e revistas localizada na rua Solon, região do Bom Retiro mais afastada dos comércios e próxima a escolas, casinhas e pensões. Pernambucana, migrou em 1983 de Belo Jardim para São Paulo, cidade onde construiu sua vida.
Não é dona, nem senhora, nem tia – é só Maria mesmo. E assim a chamam aqueles que passam por sua banca: o senhor de bengala que compra o tradicional jornal; o gari que deixa seus apetrechos apenas por uns instantes; as pessoas que transitam e a cumprimentam com o constante “bom dia, Maria!”.



Maria é viúva. Em 1988, casou-se com o migrante português Manuel Antônio Teixeira dos Santos, conhecido como Teixeira. Seu casamento durou 12 anos. Teixeira é o pai da única filha de Maria, a Marta, nascida em 1990. Maria e Teixeira se conheceram na praia. Quando isso aconteceu, Teixeira era viúvo e tinha dois filhos, um de 12 e outro de 14 anos. Maria mantém uma relação afetuosa com seus enteados até hoje.
Maria herdou o ponto da banca de seu falecido marido, que por sua vez o comprou de uma senhora boliviana que havia trabalhado ali por 10 anos. Teixeira era muito querido no bairro. Tinha especial relação com os outros portugueses que moravam no Bom Retiro. Infelizmente, só pode trabalhar na banca por quatro anos, pois foi acometido por um ataque cardíaco.
Hoje em dia, a banca carrega certa melancolia, uma nostalgia permanente. Maria reconhece seu negócio como uma coisa fora do tempo. Só continua indo para manter o ponto. Recorda dos tempos de glória do passado, da movimentação intensa e constante dos consumidores, da banca como um coração vivo do cotidiano do bairro,
